Senhor Presidente da Câmara Municipal de Mira, Senhor Presidente da Associação de Pais, caros colegas, funcionários, alunos, pais e Encarregados de Educação
 
Encontramo-nos hoje aqui reunidos no intuito de lembrar o dia 2 de abril que é o Dia Mundial de Consciencialização sobre o Autismo.

A data foi decretada pela Organização das Nações Unidas, em dezembro de 2007, sendo celebrada, em todo o mundo, desde 2008.

Estas datas especiais são momentos oportunos para reflexões sobre os assuntos abordados. São ocasiões para nos consciencializar dos problemas enfrentados por segmentos da população e ainda para repensar posturas, preconceitos e, ainda, firmar propósitos de contribuir para minimizar o sofrimento de muitos.

Em todo o mundo, calcula-se que existam cerca de 70 milhões de pessoas afetadas pelo autismo.

Apesar das estatísticas, muitos ainda pensam que é algo raro, porém, os números aceites pela comunidade internacional refletem um autista para cada 110 nascimentos, segundo dados oficiais do governo dos Estados Unidos.

Outras estatísticas dizem, ainda, que é 1 caso para cada 70 nascimentos.

Os dados são divergentes, no entanto existe um consenso no que se refere ao diagnóstico precoce. A comunidade médica, em todo o mundo, pontua que quanto mais cedo o diagnóstico for feito e o tratamento iniciado, melhor será a qualidade de vida destas pessoas.

Não obstante, o atendimento adequado deve ocorrer de forma integrada, ou seja, a saúde com a educação, o estado clínico com a aprendizagem escolar e a abordagem deve levar em consideração cada pessoa, como alias, nos restantes indivíduos, da maneira mais individualizada possível, visto que todos são capazes de aprender, mas as crianças com transtorno de autismo não aprendem da mesma forma que as demais.

A legislação sobre o autismo prevê vários benefícios, tais como o acesso a ações e serviços de saúde, com vista à atenção integral às suas necessidades de saúde, incluindo diagnóstico precoce; atendimento multiprofissional; acesso à educação, ao ensino profissionalizante; e ao mercado de trabalho.

Entretanto, nenhuma norma será suficiente se não conseguirmos mudar a conceção que muitos fazem do autismo. Um dos mitos recorrentes existente no imaginário comum é a ideia persistente de que o autista vive num mundo próprio, num mundo a parte, sem condições de interagir com o próximo e distante da realidade que o cerca. Outro é que o autista não sabe comunicar os seus sentimentos e que é incapaz de manifestar afeto, quando, ao invés, muitas vezes é o ambiente que não lhes proporciona o devido estímulo ou as nossas próprias limitações que nos impedem de encontrar neles a possibilidade da comunicação, fonte primária dos vínculos afetivos.

Desmistificar estas falsas ideias é o primeiro passo para que não os isolemos ainda mais.

Assumir que as pessoas com transtornos do espectro do autismo são capazes de aprender e de se desenvolver e que elas podem comunicar com aqueles que as cercam é realizar a inclusão, é respeitar os seus direitos e é conceder-lhes a oportunidade do seu desenvolvimento.

Para tal, a pesquisa e os tratamentos são fundamentais, mas, paralelamente a isso, é necessário que ocorra uma outra cura: a da sociedade que exclui e segrega aqueles que considera fora dos seus padrões.

Recentemente, o Secretário-Geral Ban Ki-Moon discursou em nome da O.N.U. pedindo mais investimento para os autistas, tanto na integração em escolas, quanto na integração na área de trabalho, destacando a oportunidade desse dia de celebrar e promover o respeito, para que possam mudar a mentalidade dos atuais governos sobre essa questão.

Para ele a chave da integração real é a educação e o emprego. Considerando que as escolas conectam as crianças às suas comunidades e os empregos integram os adultos à sociedade. Ban afirmou que o sucesso dessas medidas deve ser mensurado pelo grau de interação dos que vivem com autismo.

"É necessário capacitar toda a sociedade, não só com campanhas de consciencialização, mas trabalhando diretamente com professores, capacitando, criando a área de educação especial…"

Para o Secretário-Geral as pessoas com autismo devem trilhar o mesmo caminho das pessoas que não possuem este síndrome. E que a inclusão de crianças com diferentes formas de aprendizagem em escolas especializadas e não-especializadas podem ajudar e muito para mudar as mentalidades das pessoas.

Para encerrar, enfatizou o potencial dos autistas e pediu que as empresas criem mais empregos para as pessoas com autismo. Segundo Ban ki-Moon, mais de 80 % dos adultos com autismo estão desempregados, porém, essas pessoas têm um potencial enorme. Portanto, convidou as empresas a comprometeram-se a empregar pessoas que possuam espectro do autismo, dando-lhes uma chance para que elas possam exploraros seus talentos.

  • Os indivíduos com autismo têm um enorme potencial. A maioria tem notáveis habilidades visuais, artísticas e académicas. Graças ao uso de tecnologia, pessoas não-verbais podem hoje comunicar e compartilhar as suas capacidades ocultas. Reconhecer o talento de pessoas no espectro do autismo, ao invés de focar os seus pontos fracos, é essencial para a criação de uma sociedade verdadeiramente inclusiva — afirmou, ressaltando que a data especial não só fornece maior compreensão sobre o assunto, mas também nos capacita a todos da necessidade da busca de tratamentos e terapias precoces como forma de proporcionar uma maior integração das pessoas com autismo na sociedade.

O representante da O.N.U. ainda frisou que, com apoio adequado, os autistas podem e devem frequentar as escolas das suas comunidades.

  • Agora é o momento de dar acesso e mais oportunidades de trabalho para as pessoas com autismo — disse o diplomata — Essa importante missão só pode ser alcançada com uma formação profissional adequada, apoio e um processo de recrutamento que permita que as pessoas sejam integradas nomundo laboral.

Ban ki-Moon concluiu seu discurso pedindo que, neste dia, cidadãos do mundo inteiro se unam para criar melhores condições, “… para que eles possam dar a sua contribuição para um futuro justo e sustentável para todos”.

Assim, neste dia especial, cientes que o autismo é uma importante questão pública, pelo número de pessoas que atinge e pelas nossas dificuldades em lidar com ele, quero felicitar todos aqueles que conseguem ultrapassar as diversas barreiras que impedem a interação com os autistas, e que dedicam os seus esforços para proporcionar uma vida mais digna a estas crianças e jovens e aos seus familiares, e, consequentemente, tornando o nosso país mais humano e melhor.

Saúdo, pois, o empenho de médicos, psicólogos, professores e, sobretudo, a dedicação incondicional de mães, pais e familiares e felicito e agradeço à Câmara Municipal de Mira e à Associação de País e facto de possibilitarem estarmos hoje aqui reunidos a comemorar esta jornada que glorifica a inclusão, num dia cheio de significado para a nossa comunidade educativa e para o nosso Agrupamento que dispõe de duas Unidades de Ensino Estruturado, como modelo de intervenção educativa para crianças com Perturbações do Espectro do Autismo.

Muito obrigado e bem-hajam.
Fernando Rovira
Diretor do Agrupamento de Escolas de Mira